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terça-feira, setembro 30, 2008

sobre o silêncio

não estou calada. grito.
a bigorna é boa, não nos confundamos. é a realidade desejada. não me queixo. não é, no entanto, banal.
entretanto, o meu globo ocular, sangrando fora da sua órbita, vê ainda todos os pores-de-dia do mundo.

segunda-feira, setembro 08, 2008

das escolhas...

há escolhas que se tornam fáceis a golpes na traqueia
há escolhas que são apenas naturais

há navalhas que nos abrem as carótidas, outras ceifam simplesmente papoilas

existem muros que são diques outros que são muralhas

há escolhas que não são escolhas e outras que não se fazem.

Amanhã é sempre o primeiro dia do resto da minha vida e lá não há lugar a desilusões.

[porque eu não quero]

domingo, setembro 07, 2008

sabia que estavas de passagem e sabia que passavas incógnito. eu sabia e tu sabias mas não tinhamos a certeza se o outro saberia que sabiamos.

apesar disso sorria-te muito e tentava dizer-te tudo nas poucas palavras que tinha disponiveis. queria que me conhecesses e por isso inundava-te de imagens familiares e sujeitava-te à familiaridade da minha casa. eu queria tanto.

no entanto continuavas efémero.

hoje entraste pela primeira vez nos meus sonhos. passado exactamente o tempo suficiente para isso aconteça: muito.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Canso-me. Ranjo os dentes. Ocupo-me.

Cumpro.

Falho.

Iludo-me e sorrio. Sorrio uma vez mais. Sou útil.

Constranjo-me. Contraio-me. Encontro com facilidade os limites.

Só se é verdadeiramente feliz quando se incandesce qual meteorito ao atravessar a barreira da atmosfera. Entrar por ti adentro.

Só se é verdadeiramente feliz quando se repousa. Ficar dentro de ti.

terça-feira, agosto 12, 2008

imagens persistentes

uma coxa, a tua.
um carro, o teu.
a pressão da coxa contra o volante.

desviei o olhar mas a imagem persiste.