Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.
É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua. . .
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!
Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.
É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.
Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.
David Mourão Ferreira
À Guitarra e à Viola(1954-1960)
Obra Poética1948-1988
4.º Edição
Editorial Presença
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domingo, maio 03, 2009
quarta-feira, abril 29, 2009
entre a sombra e o corpo
Final da tarde em Salamanca
O livro "entre a sombra e o corpo", publicado em 1980 por David Mourão Ferreira, contém 30 poemas de três linhas que o autor previne no prefácio não serem haicai por não terem a métrica 5-7-5 mas sim 6-6-3. Mais a adiante escreve o autor: "(o leitor..) dirá ainda se estes falsos haicai lhe parecem ou não verdadeira poesia. Para mim constituiram eles, sobretudo, o apaixonante ensejo de tentar dizer, do modo mais condensado - e com possibilidades de mais de uma leitura - muito do que há muito, ou desde sempre, me venho esforçando por exprimir".
A tal pessoa que respeito falou-nos neste... É engraçado como quando conhecemos uma coisa nova, ela passa a surgir-nos tão frequentemente.
Ao meio-dia em ponto
entre a sombra e o corpo
o encontro
quinta-feira, março 26, 2009
À maneira de Benamor Lhopes
A vida não é de abrolhos.
É de abr'olhos.
A vida não é de escolhos.
É de escolhas.
Por que me olhas e m'olhas?
Por que me forras a alma
Com o relento de um sentimento?
Serei eu a tua escolha?
Abre os olhos e olha,
Que eu já me escolhi em ti!
Alexandre O'Neil
Este senhor O'Neil vai obrigar-me a comprar mais alguns livros que só vou poder ler no verão. Rai's parta a poesia!
É de abr'olhos.
A vida não é de escolhos.
É de escolhas.
Por que me olhas e m'olhas?
Por que me forras a alma
Com o relento de um sentimento?
Serei eu a tua escolha?
Abre os olhos e olha,
Que eu já me escolhi em ti!
Alexandre O'Neil
Este senhor O'Neil vai obrigar-me a comprar mais alguns livros que só vou poder ler no verão. Rai's parta a poesia!
terça-feira, março 17, 2009
outra vez a puta da poesia
Adeus Português
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Alexandre O'Neill
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Alexandre O'Neill
sábado, fevereiro 21, 2009
Saber viver é vender a alma ao diabo
O meu amigo J*** ofereceu-me no Natal de 2007 um poema, a mim e mais alguns amigos. Foi assim que ele introduziu esta prenda.
"Nesta quadra horrível e solitária, um poema, público, para cada um de vós...".
Este foi o que me calhou e sei, porque o conheço, que não foi simplesmente o que me "calhou" e por isso agradeço-lhe.
Gosto dos que não sabem viver,
dos que se esquecem de comer a sopa
(Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?)
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.
Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.
Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em «grande parva, que ele há tanto homem!»
(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)
Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...
Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?
Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!
Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.
Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!
E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...
Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra morrer?
Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!
Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...
Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!
*
Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...
Alexandre O'Neill
"Nesta quadra horrível e solitária, um poema, público, para cada um de vós...".
Este foi o que me calhou e sei, porque o conheço, que não foi simplesmente o que me "calhou" e por isso agradeço-lhe.
Gosto dos que não sabem viver,
dos que se esquecem de comer a sopa
(Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?)
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.
Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.
Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em «grande parva, que ele há tanto homem!»
(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)
Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...
Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?
Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!
Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.
Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!
E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...
Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra morrer?
Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!
Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...
Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!
*
Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim...
Alexandre O'Neill
sábado, fevereiro 07, 2009
as palavras que nunca me dirás
Esta noite vi-me ao espelho
Bebi licor de amoras
Calcei botas douradas
Cantei línguas estranhas
Porque amanhã volto a partir
Quero perder dinheiro
Jogar tudo o que ganho
Acender muitas velas
Pingar limão nas ostras
E de manhã não ver ninguém
Esta noite eu conto estrelas
Volto a dançar na praia
Enrolo-me em cetim
Conheço os versos raros
E amanhã fechei a mala
Aposto o que não tenho
Que me vais trazer rosas
Vais tocar-me na pele
Adormecer sem pressa
E de manhã chamar por mim
Quero entregar-te o mundo
Escrever-te uma carta
Menina do violino
Toca à minha janela
E de manhã podes dormir
Esta noite eu pago tudo
E acendo paus de incenso
Perfumo-te os cabelos
Vou deixar-te os meus livros
E de manhã já cá não estou
Clara Pinto Correia in "Canções que já não existem"
Bebi licor de amoras
Calcei botas douradas
Cantei línguas estranhas
Porque amanhã volto a partir
Quero perder dinheiro
Jogar tudo o que ganho
Acender muitas velas
Pingar limão nas ostras
E de manhã não ver ninguém
Esta noite eu conto estrelas
Volto a dançar na praia
Enrolo-me em cetim
Conheço os versos raros
E amanhã fechei a mala
Aposto o que não tenho
Que me vais trazer rosas
Vais tocar-me na pele
Adormecer sem pressa
E de manhã chamar por mim
Quero entregar-te o mundo
Escrever-te uma carta
Menina do violino
Toca à minha janela
E de manhã podes dormir
Esta noite eu pago tudo
E acendo paus de incenso
Perfumo-te os cabelos
Vou deixar-te os meus livros
E de manhã já cá não estou
Clara Pinto Correia in "Canções que já não existem"
Adenda
Faz de conta que é só fechar a porta
E o mundo fica do outro lado
Agora eu sou a mais linda da festa
E tu és mesmo o meu namorado
Eu só quero beijar-te mais vezes
Faz de conta que vamos ter filhos
Numa casinha à beira da estrada
Que até tinha lagos com junquilhos
Hoje eu quero dizer para sempre
E viver a pensar só em ti
Faz de conta que é mesmo verdade
Que amanhã ainda estamos aqui
Posso olhar-te de frente nos olhos
Acreditar em tudo o que dizes
E enquanto durar esta noite
Faz de conta que vamos ser felizes
Clara Pinto Correia (estranhamente!) in "Canções que já não existem"
E o mundo fica do outro lado
Agora eu sou a mais linda da festa
E tu és mesmo o meu namorado
Eu só quero beijar-te mais vezes
Faz de conta que vamos ter filhos
Numa casinha à beira da estrada
Que até tinha lagos com junquilhos
Hoje eu quero dizer para sempre
E viver a pensar só em ti
Faz de conta que é mesmo verdade
Que amanhã ainda estamos aqui
Posso olhar-te de frente nos olhos
Acreditar em tudo o que dizes
E enquanto durar esta noite
Faz de conta que vamos ser felizes
Clara Pinto Correia (estranhamente!) in "Canções que já não existem"
terça-feira, agosto 12, 2008
Explicação da ausência
Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer - fosse abertura -
e a saudade é tudo ser igual.
Daniel Faria - Explicação das árvores e outros animais.
in Poesia das Edições Quasi
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer - fosse abertura -
e a saudade é tudo ser igual.
Daniel Faria - Explicação das árvores e outros animais.
in Poesia das Edições Quasi
Le crime parfait
J'ai regardé mes mains
Me demandant jamais si
Elles
Ont tué
Me demandant
Qui
Mes main-là
Quand
Ces mains-ci
Où
Me demandant
Si jamais
Je ne sais honnêtement
Répondre
Louis Aragon (1897-1982)
in Rouxinol do Mundo de Manuel Alegre (selecção e tradução) aqui na versão original porque este francês até eu entendo e sinceramente era mais bonito assim.
Me demandant jamais si
Elles
Ont tué
Me demandant
Qui
Mes main-là
Quand
Ces mains-ci
Où
Me demandant
Si jamais
Je ne sais honnêtement
Répondre
Louis Aragon (1897-1982)
in Rouxinol do Mundo de Manuel Alegre (selecção e tradução) aqui na versão original porque este francês até eu entendo e sinceramente era mais bonito assim.
Farai un vers / Farei um poema
Farei um poema de puro nada
nem de mim nem de ninguém,
nem juventude nem amada,
nem outro alguém,
só que andei a trová-lo
dormindo sobre um cavalo.
Não sei a hora em que fui nado,
não sou alegre nem irado,
nem reservado nem estranho,
culpa não tenho,
que deste modo fui fadado
de noite numa montanha.
Amada tenho, não sei quem é:
que nunca a vi, por minha fé;
não fui cortês nem descortês
e não me importa:
que nunca tive normando nem francês
dentro da porta.
Quero-lhe muito e nunca a vi;
e nem favor ou desfavor eu tiro dela;
pouco me importa se não está aqui;
nem sequer presta:
sei de outra mais gentil e que é mais bela,
melhor do que esta.
Não sei sequer onde ela habita,
se na montanha ou na planície;
o mal que ela me fez eu não o disse,
calado estou;
Que ela aqui esteja é uma desdita,
e assim me vou.
Fiz um poema não sei de quê;
e vou mandá-lo para quem
há-de enviá-lo para outrem
a Poitiers,
o qual me enviará de sua lavra
a contraclava.
Guillaume, IX Duque da Aquitânia e VII Conde de Poitiers (1071-1227)
in Rouxinol do Mundo de Manuel Alegre (selecção e tradução)
nem de mim nem de ninguém,
nem juventude nem amada,
nem outro alguém,
só que andei a trová-lo
dormindo sobre um cavalo.
Não sei a hora em que fui nado,
não sou alegre nem irado,
nem reservado nem estranho,
culpa não tenho,
que deste modo fui fadado
de noite numa montanha.
Amada tenho, não sei quem é:
que nunca a vi, por minha fé;
não fui cortês nem descortês
e não me importa:
que nunca tive normando nem francês
dentro da porta.
Quero-lhe muito e nunca a vi;
e nem favor ou desfavor eu tiro dela;
pouco me importa se não está aqui;
nem sequer presta:
sei de outra mais gentil e que é mais bela,
melhor do que esta.
Não sei sequer onde ela habita,
se na montanha ou na planície;
o mal que ela me fez eu não o disse,
calado estou;
Que ela aqui esteja é uma desdita,
e assim me vou.
Fiz um poema não sei de quê;
e vou mandá-lo para quem
há-de enviá-lo para outrem
a Poitiers,
o qual me enviará de sua lavra
a contraclava.
Guillaume, IX Duque da Aquitânia e VII Conde de Poitiers (1071-1227)
in Rouxinol do Mundo de Manuel Alegre (selecção e tradução)
poesia de verão
a poesia é...
não sei ler poesia. sou tola o suficiente para gostar essencialmente de poemas de amor. talvez seja apenas romântica.
de qualquer forma, depois de uma má experiência com um certo fulano armado em poeta, tinha arredado o género da minha vida.
reconciliei-me. ainda bem. continuo sem saber lê-la mas entre sobressaltos, bocejos e pontos de interrogação, comecei a fazer uma pequenina selecção de poemas de que gosto escolhida de entre a pequeníssima colecção de livros de poesia que possuo e outro delicadamente (deliciosamente) cedido.
uma série para ser desenvolvida nas 4 estações.
não sei ler poesia. sou tola o suficiente para gostar essencialmente de poemas de amor. talvez seja apenas romântica.
de qualquer forma, depois de uma má experiência com um certo fulano armado em poeta, tinha arredado o género da minha vida.
reconciliei-me. ainda bem. continuo sem saber lê-la mas entre sobressaltos, bocejos e pontos de interrogação, comecei a fazer uma pequenina selecção de poemas de que gosto escolhida de entre a pequeníssima colecção de livros de poesia que possuo e outro delicadamente (deliciosamente) cedido.
uma série para ser desenvolvida nas 4 estações.
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