Tento discernir se o tédio lento que me invade o corpo tem qualquer coisa de épico ou se é apenas banal. Se o modo com o meu corpo se adapta à contrariedade tem qualquer coisa de vaga movendo-se de acordo com os caprichos da lua ou é apenas putrefacto cadáver sacudido pela rebentação.
Disperso-me em significados e significações mas não há neste movimento esforço. A intencionalidade, já sabemos, é fonte de mágoa e esse é um luxo a que não me quero permitir mais.
Por isso, suavemente, atravesso um tempo em que os astros não alternam, o céu mantém-se para sempre cinzento, as estações são agora um único e final apeadeiro.
O caricato é que, grandioso ou não, já todos conhecemos o meu melhor olhar.
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domingo, junho 14, 2009
sábado, junho 06, 2009
período de nojo
não tomo banho há 34 dias.
não escovo os dentes há exactamente 72.
não corto as unhas há 182 dias e observo o seu crescimento encaracolado no sentido da carne com uma espécie de orgulho doloroso.
não escovo o cabelo desde o primeiro dia do ano.
Fumo e cotão alojam-se nos longos tubos engrenhados e, agora que os corto, libertam-se numa nuvem poeirenta. Depois de todos os nós de cabelo terem caido por terra, afio uma faca e raspo o crânio. Corto-me e observo ao espelho o sangue espastar o sarro que se acumula no pescoço e nas clavículas.
Pondero correr para a rua nua e deixar a chuva desenhar-me no corpo sulcos enquanto uma poça lamacenta se forma a meus pés.
segunda-feira, maio 18, 2009
sábado, maio 16, 2009
quinta-feira, maio 14, 2009
spoiled birthday girl
Pronto. Todos me têm perguntado quais são os meus sonhos e desejos. Sim, para o meu aniversário. E a todos tenho dito "vá não sejas tonto/a! o que eu quero é que estejas presente.".
A verdade verdadinha é que prenda que eu quero imigrou da Itália para o Vietnam, e agora está como nova! Para conhece-la melhor basta clicar aqui.
Peçam um embrulho bem bonito e eu vou buscá-la ao Porto de Leixões. Thanks!

terça-feira, abril 28, 2009
Tenho andado de sobrolho franzido, de semblante sombrio, até as promessas me cansam e cada sorriso é um esforço. As conversas maçam-me e os outros matam-me de tédio.
Há palavras que não me atrevo a dizer em voz alta, relatos que não faço, conclusões que não tiro e, ai de quem me obrigue a pensar.
Haja forma de vomitar o mundo: faço-o sem hesitar.
Há palavras que não me atrevo a dizer em voz alta, relatos que não faço, conclusões que não tiro e, ai de quem me obrigue a pensar.
Haja forma de vomitar o mundo: faço-o sem hesitar.
segunda-feira, abril 27, 2009
Épico
Isto está mesmo bem feito!
E agora para algo completamente fútil: Se alguém quiser costurar um vestidinho daqueles para mim, vou ser muito feliz, embora me pareça que não vá ficar tão distinta... acho que o estilo será mais prostituta vitoriana... nada contra.
E agora para algo completamente fútil: Se alguém quiser costurar um vestidinho daqueles para mim, vou ser muito feliz, embora me pareça que não vá ficar tão distinta... acho que o estilo será mais prostituta vitoriana... nada contra.
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myself and i
piscina egoísta
a tristeza é como a água.
o corpo estranha a temperatura. surpreende-se. freme enquanto a água corre fria. quente.
depois a água toma a nossa forma, preenche-nos. submergimos. está escuro, a água é negra. e forma-se um silêncio no espaço que antes era ar.
a água invade-nos, toma o nosso calor, entra-nos pelo nariz, pela boca, força o seu caminho até aos pulmões. entra pelos ouvidos que estalam até emudecer. por todos os poros da superfície inteira da pele. instala-se entre ela e o músculo. habita onde antes eras tu.
o corpo estranha a temperatura. surpreende-se. freme enquanto a água corre fria. quente.
depois a água toma a nossa forma, preenche-nos. submergimos. está escuro, a água é negra. e forma-se um silêncio no espaço que antes era ar.
a água invade-nos, toma o nosso calor, entra-nos pelo nariz, pela boca, força o seu caminho até aos pulmões. entra pelos ouvidos que estalam até emudecer. por todos os poros da superfície inteira da pele. instala-se entre ela e o músculo. habita onde antes eras tu.
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Right after fuck and murder
quinta-feira, abril 23, 2009
terça-feira, abril 21, 2009
the healing power of music
hoje o post era para ser sexo, violência e morte, mas estou a ouvir o vitor espadinha e o eterno "recordar é viver". esta é uma daquelas músicas que lixa qualquer disposição para a destruição.
ou seja, assim de repente, não tenho palavras.
ou seja, assim de repente, não tenho palavras.
quarta-feira, abril 15, 2009
sábado, abril 11, 2009
quarta-feira, abril 08, 2009
sábado, abril 04, 2009
while i'm awake
Quando eu sou eu, quando estou estou em mim, vivo noutros. Aceito-o pacificamente. Abraço essa maneira de ser. É debaixo da pele dos outros humanos que reside a felicidade, a amizade, o encontro, a entrega, o amor, e é lá que quero habitar.
Existiu um tempo onde só me encontrava em ti, mas tu não estás cá, not anymore, estás dentro de mim, és parte de mim, parte do património que tenho para partilhar com os outros. Não me permitirei esquecer-te. Hás-de doer-me sempre. A tua carne é a minha carne, os teus olhos são os meus olhos, as tuas veias as minhas veias, o teu sexo o meu sexo.
Tudo isto interessa e não tem, ao mesmo tempo, importância nenhuma. Só eu tenho que lidar com isso, a vida real não se compadece com presentes e passados e corre independentemente de nós.
Claro que às vezes é preciso perder algum tempo a desfragmentar: levanto-me e vou decapar uma porta, tirar a cera um móvel, pôr uma máquina a lavar, estender lençois, arranjar as sobrancelhas, novamente cortar a franja de uma forma esdrúxula, tratar dos extratos bancários, brincar com o computador, ouvir a mesma música até à exaustão. Coisas banais, manuais, úteis, automáticas. Coisas minhas. Dentro de portas.
Mas sei que um dia a vida, a tal vida real, apanha-me distraida e faz-me esquecer que há coisas que me escurecem: a deslembrança dos passos em falso. Descuidada e ainda intencionalmente avançarei sobre o abismo da existência rindo.
Existiu um tempo onde só me encontrava em ti, mas tu não estás cá, not anymore, estás dentro de mim, és parte de mim, parte do património que tenho para partilhar com os outros. Não me permitirei esquecer-te. Hás-de doer-me sempre. A tua carne é a minha carne, os teus olhos são os meus olhos, as tuas veias as minhas veias, o teu sexo o meu sexo.
Tudo isto interessa e não tem, ao mesmo tempo, importância nenhuma. Só eu tenho que lidar com isso, a vida real não se compadece com presentes e passados e corre independentemente de nós.
Claro que às vezes é preciso perder algum tempo a desfragmentar: levanto-me e vou decapar uma porta, tirar a cera um móvel, pôr uma máquina a lavar, estender lençois, arranjar as sobrancelhas, novamente cortar a franja de uma forma esdrúxula, tratar dos extratos bancários, brincar com o computador, ouvir a mesma música até à exaustão. Coisas banais, manuais, úteis, automáticas. Coisas minhas. Dentro de portas.
Mas sei que um dia a vida, a tal vida real, apanha-me distraida e faz-me esquecer que há coisas que me escurecem: a deslembrança dos passos em falso. Descuidada e ainda intencionalmente avançarei sobre o abismo da existência rindo.
quinta-feira, março 19, 2009
reboot
deitei-me com o corpo em chagas.
a pele em escamas, o peito ferido pelo espartilho que o oprime, as coxas violetas e exangues, os pés em fogo. espancada pelo dia, estuprada: exausta.
passei a noite entre deformados, ensanguentados e humilhados. a violência primária que nos permite desfragmentar o sistema interior.
hoje tive um dos melhores acordares dos últimos meses. dorida, calma, morna, desperta.
a pele em escamas, o peito ferido pelo espartilho que o oprime, as coxas violetas e exangues, os pés em fogo. espancada pelo dia, estuprada: exausta.
passei a noite entre deformados, ensanguentados e humilhados. a violência primária que nos permite desfragmentar o sistema interior.
hoje tive um dos melhores acordares dos últimos meses. dorida, calma, morna, desperta.
domingo, março 15, 2009
o meu silêncio
um dia daqueles só meus. feitos para mim.
sol nos vidros molhados, a casa limpa, vazia.
a luz lá foram sem a excitação da saída: quero estar aqui sozinha.
a penumbra a chegar lentamente ao meu sono e o sono vazio de sonhos. a cabeça quase vazia de ideias.
sair ao fim do dia, o ar ainda cálido, os pés descalços. a cidade está silenciosa e a praça desprende-se de odores primaveris.
voltar a casa e saber com certeza que ninguém me perturbará.
sol nos vidros molhados, a casa limpa, vazia.
a luz lá foram sem a excitação da saída: quero estar aqui sozinha.
a penumbra a chegar lentamente ao meu sono e o sono vazio de sonhos. a cabeça quase vazia de ideias.
sair ao fim do dia, o ar ainda cálido, os pés descalços. a cidade está silenciosa e a praça desprende-se de odores primaveris.
voltar a casa e saber com certeza que ninguém me perturbará.
segunda-feira, março 09, 2009
as mulheres sós, as mulheres amargas e as mulheres honradas
Há solidões de que não podemos esquivar-nos. E se as pessoas são más e absurdas, procuro entre elas outros cristãos.
A amargura é a doença dos seres solitários. Daqueles que desistiram de encontrar.
Eu sou a busca e o mel. Por isso nunca fui considerada uma mulher honrada.
Pois que se foda!
A amargura é a doença dos seres solitários. Daqueles que desistiram de encontrar.
Eu sou a busca e o mel. Por isso nunca fui considerada uma mulher honrada.
Pois que se foda!
quinta-feira, julho 17, 2008
me, myself and us
anseio a minha casa e de algum modo a minha solidão.
a minha vista sobre o topo da palmeira republicana: as minhas pernas nuas estendidas no sofá.
o meu silêncio preenchido com o aviso sonoro dos semáforos, as súbitas travagens na passadeira de peões, o autocarro em ponto morto à cor vermelha.
a televisão em constante zapping.
os meus pés descalços no soalho irregular, os meus pés descalços no mármore frio, os meus pés descalços nos mosaicos antiquados.
anseio a minha solidão e a tua companhia. o cheiro a suor masculino, o som do teclado distante. a tua música, a tua arte.
estar sozinha, estares sozinho. estarmos sozinhos juntos.
thinking about other lovers and ending up thinking about you.
a minha vista sobre o topo da palmeira republicana: as minhas pernas nuas estendidas no sofá.
o meu silêncio preenchido com o aviso sonoro dos semáforos, as súbitas travagens na passadeira de peões, o autocarro em ponto morto à cor vermelha.
a televisão em constante zapping.
os meus pés descalços no soalho irregular, os meus pés descalços no mármore frio, os meus pés descalços nos mosaicos antiquados.
anseio a minha solidão e a tua companhia. o cheiro a suor masculino, o som do teclado distante. a tua música, a tua arte.
estar sozinha, estares sozinho. estarmos sozinhos juntos.
thinking about other lovers and ending up thinking about you.
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quarta-feira, julho 09, 2008
dark city* sin city**
há alturas em que já não se escolhe porque deixou de haver como e porquê.
teço a teia onde sou aranha e presa.
teço um casulo onde não há escuridão, nem punição, nem luz, nem luxúria.
habito a minha cidade, agora.
* Director: Alex Proyas
** Directors: Frank Miler e Robert Rodriguez baseado na comics de Frank Miller
teço a teia onde sou aranha e presa.
teço um casulo onde não há escuridão, nem punição, nem luz, nem luxúria.
habito a minha cidade, agora.
* Director: Alex Proyas
** Directors: Frank Miler e Robert Rodriguez baseado na comics de Frank Miller
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